domingo, 22 de julho de 2012

Quando Deus quer uma alma só para Ele, começa por espremê-la como as uvas no lagar para extrair o suco



Ouvi dizer que quando Deus quer uma alma só para Ele, começa por espremê-la como as uvas no lagar para extrair o suco. Depois, quando esta alma assim esprimida venceu as suas paixões, os defeitos, à procura de si, então dispõe dela como bem quer, e se ela é fiel logo ficará toda transformada, e então Jesus a cumula de graças escolhidas e a inunda do amor.

Quanto mais a alma ama Jesus, tanto mais as suas orações e ações terão êxito diante Dele.
Devemos amar a Jesus como Ele quer e resumir nossa vida no amor e no sacrifício.

Jesus é bom e justo. Então deixemos de olhar para o pecado do outro e olhemos para a nossa vida e o que Deus quer que façamos, pra recebermos as graças vindas Dele, que surgem como uma onda que nos causam surpresas, como uma chuva em pleno dia claro, que se despeja sobre a alma.

Poucas pessoas amam a Deus como Ele o quer. Elas procuram a si mesmas, julgando procurar a Deus, e sonham com uma santidade que não é verdadeira.

A verdadeira santidade consiste na renúncia de nós mesmos de manhã à noite, e vivermos de sacrifício. Saber deixar de lado o nosso "eu" humano, deixando que Deus trabalhe como queira em nós.

A santidade é receber as graças que Ele nos dá com profunda humildade, reconhecendo-se indignos delas. É estar sempre quando possível na presença de Deus. Fazer todas as ações sob o olhar divino e não procurar outra testemunha para os próprios esforços.

Ter a Deus como única recompensa eis a santidade que Jesus exige e quer das almas que querem viver só para Ele. O resto não é mais que ilusão.

A cruz, as grandes cruzes, as que trituram o coração, são a herança dos amigos de Deus. Não há santidade sem sofrimento.

O coração há de ser triturado a fim de sair dele todo o amor humano.

Sinto que o sofrimento e as penas que ocorrem na caminhada, é uma forma de desapego, para que Jesus possa falar ao nosso coração, afinal quanto mais íntima é a união de uma alma com Deus mais esta alma é ouvida.

Se queremos agradar a Deus o único meio  é aproximar-mos sempre mais do seu coração por uma grande atenção aos menores desejos de vossa santíssima vontade. É preciso que Ele mexa e remexa em nós e que nós não resistamos á sua vontade.

Diz São João da Cruz: "Para  se  enamorar  duma  alma não põe Deus os olhos na grandeza dela, mas na grandeza da sua humildade".

Devemos proceder com Jesus como uma criancinha com sua mãe, confiando na sua bondade , entregando-lhe nas mãos divinas todos os nossos interesses espirituais e corporais e depois procurar sempre em tudo o agradar, sem nenhuma outra preocupação.

Na verdade, deveríamos amar Jesus com amor de Criança e no entanto somos frios.

Quantas vezes um pequeno sacrifício conhecido só de Deus e de quem o praticou, não se torna mais meritório que um outro maior que  foi aplaudido! É importante a interiorização  para não tomarmos para nós os elogios que nos fazem.

São João da Cruz falava: "Deus humilha muito para depois elevar também muito; quando ficar reduzido a nada, que será a suma humildade, ficará feita a união entre a alma e Deus".

Meus irmãos, Deus procura almas vazias de si mesmas, para enchê-las de seu divino amor. O amor de si não deixa lugar para Jesus.

Poucas pessoas sabem rezar como Jesus quer. Ele só nos ouve depois do ardor dos nossos desejos e na medida do nosso amor. Por isso não recebemos.

É preciso ver tudo como provindo da bondade de Jesus, o que o aflige e o que o consola.

O amor unido ao sofrimento chega mais perto de Jesus. E enquanto não fizermos todas as ações sob o olhar do pai celestial, não teremos nem paz, nem a tranquilidade interior.

Jesus nos chama a santidade e ao puro amor, e depois, caminhar sempre sem olhar para trás, seguindo o seu caminhar, sem vacilar.

Portanto, concluimos que não devemos ter medo do sofrimento pois ele nos aproxima de Deus.

Augusta Moreira dos Santos
Grupo de Oração São Francisco de Assis

sábado, 21 de julho de 2012

Cura Interior - Pe. Léo - Canção Nova


Hoje o Senhor está olhando para você e dizendo:
“Existem quatro realidades na sua vida que não me pertencem, que aparentemente podem significar humildade, mas estão sendo obstáculos para que a minha graça atinja a sua história. Eu quero arrancar do seu coração as raízes do sentimento de indignidade, todo o remorso, as raízes do complexo de inferioridade e a depressão.

Você que sofre há tanto tempo, martelando, ruminando os pecados que você cometeu na infância, adolescência e idade adulta, nas áreas afetivas, econômicas, sexuais. Você não merece o castigo do remorso. Na verdade você está diminuindo a ação de Deus dentro de você, e acaba levando você a ficar escravo, dependente do pecado.

Com o tempo porque você foi ruminando esse complexo de inferioridade, fazendo-se pequeno, fraco e frágil, você acabou tornando-se dependente de pecados que facilmente outras pessoas já se libertam.”
Nasceu em seu coração essa sensação de indignidade, regada pela falsa humildade, à indignidade até parece coisa boa, mas hoje Deus está profeticamente insistindo para você:

“A indignidade que você sente, essa sensação de ser uma pessoa indigna, não é obra minha, não é graça é desgraça, por que está fazendo você negar a minha misericórdia infinita”. Está impedindo você de acolher esse meu abraço.

O seu complexo de inferioridade, alimentado pela sensação da indignidade, faz você achar que a sua miséria é maior do que a minha misericórdia. É por isso, meu filho, que você acabou gerando essa enfermidade, essa doença espiritual, psíquica e física chamada depressão. A partir do momento que você passou a sentir-se neste buraco, você passou a ser íntimo do inferno, das coisas inferiores.

Hoje eu te convido, Meu filho, a olhar para o alto, por que neste buraco onde você se
encontra, alimentando essa sensação de inferioridade, vendo com lentes de aumento e aumentando ainda mais a força dos seus erros e dos seus pecados, cabisbaixo e olhando cada vez mais para o fundo do posso, você não encontra a saída.

A saída está sendo repetida muitas e muitas vezes: Eu te abraço, te amo, te curo. Meu filho, seu pecado, por maior que seja é infinitamente menor que a minha misericórdia. Os piores erros que você cometeu, os mais medonhos, são infinitamente menores do que o meu amor. Os seus grandes pecados, que foram jogados na sua cara e impregnaram seus olhos, nariz, ouvidos, boca, rosto, que criou em você uma máscara suja. Os seus maiores pecados são infinitamente menores que o meu perdão.

Uma gota do sangue de meu filho, tem autoridade para apagar todos os pecados do mundo. Todos os pecados do mundo, não chegam a pesar na balança onde se encontrar a menor gota do sangue do meu Filho Jesus Cristo.

Hoje a indignidade gera, infidelidade, remorso, aumenta a depressão. Eu não estou dizendo que você não errou. Os pecados que você cometeu foram muito graves, o que eu estou dizendo a você meu filho e minha filha, é que você não pode e nem deve se desesperar, por que o meu amor é maior.
Onde abundou os seus pecados, superabundou a minha graça.

Hoje o que precisa é sair do fundo desse abismo e do fundo desse pecado! Clame a misericórdia infinita. Imagine-se jogado em um buraco profundo, escuro e úmido, com indignidade, remorso, depressão e inferioridade. É por essas razões que você está perdido, por que você só enxerga sua indignidade, remorso, depressão e inferioridade.
Enquanto você continuar olhando para qualquer uma destas realidades você só vai enxergar vazio, e a sua alma só vai se encher de desânimo e tristeza e sozinho o que fará é olhar para baixo.
Hoje, meu filho e minha filha, ao serem denunciadas essas quatro paredes que estão encaixotando você, transformando você em uma pessoa fraca, essa denuncia é para fazer um grande convite:
Meu filho, enquanto você continuar olhando para essas paredes que você acabou sendo projetado como conseqüência dos seus pecados, não terá saída para você. Quanto mais você ruminar o veneno, mais envenenado você fica!

A única saída desse buraco é o alto. Venha para a vida, vem para a graça! Vem para fora! Meu Filho Jesus, que ressuscitou Lázaro, que estava morto há 4 dias, para lembrar essas 4 paredes (infidelidade, remorso, aumenta a depressão) Ele chega perto de você, onde você está morto, e grita: Meu filho vem para fora, vem para vida! Eu não coloquei você a minha imagem e semelhança para viver preso nessas paredes que você mesmo ajudou a construir para se trancar. Eu não coloquei em você a minha luz e a minha glória para que você ficasse apagado nestas trevas. Eu não coloquei em você o meu Espírito Santo para você ficar neste túmulo que você se fechou.

Meu filho, eu não quero que você fique assim. Mas eu te dou a liberdade. Estou aqui de braços abertos para abraçar você. Cada dia eu olho para ver se você lá longe está voltando. Cada semana eu lavo as suas vestes. Eu preparei para você um anel, que lhe devolve a dignidade de filho e filha de Deus. Eu não posso fazer mais nada além de esperar a sua volta.

Meu filho, hoje, dá-me uma grande alegria. A minha maior alegria, é um pecador que se converte. Seja você hoje um grande motivo de alegria do meu coração de Pai.
Não tenha hoje medo de olhar para o alto, e estender a sua mão em direção à minha.

Sei que os pecados que você cometeu acabaram tirando a sua dignidade, e você se acha sujo e estragado, mas é por que a sua veste verdadeira está aqui guarda em meu coração.

Eu preciso abraçar você para revesti-lo com minha dignidade. Volta hoje ao meu coração meu filho e saia desse buraco! Quanto mais você ficar remoendo o seu passado, e inventar desculpas, pior será! Eu não quero saber quem foi que jogou você neste buraco, eu não quero saber quais foram os caminhos que levaram você neste precipício, eu quero que você segure em minhas mãos para tirar você desse buraco.
É o encardido que sopra esse discurso ultrapassado em você. Renuncie essas quatro paredes para matar essa sensação de indignidade agora, conscientemente, assuma diante da minha misericórdia: Eu não sou digno Senhor!

Ao pecador que se descobre pelo arrependimento, Deus o recobre com a sua graça!
Não tenha medo de dizer: Eu não sou digno! Em troca da confissão da sua indignidade, você recebeu o corpo, a alma a divindade de seu filho na sua mão esse desejo que você sente é saudade do céu. Estou com os braços abertos te receber e apagar os seus pegados.

Eu sei que você está martelando o que você viveu na sua infância, adolescência e juventude, ficou fazendo o que não devia. Foi muito grave o que você fez, você brincou com o seu corpo, sacrário do Meu Filho, morada do Espírito Santo. Você se drogou, se prostituiu, você comeu demais, e não mostrou a minha santidade, foi grave o que você fez, principalmente à medida que você foi crescendo e se tornando mais consciência, e pior ainda quando conscientemente você se afastou e fez o que não devia, mas meu filho, Meu amor e minha misericórdia são maiores.

Venha até mim com o seu coração arrependido. Olhe para o seu pecado a partir do meu amor. Você vai sentir uma força que vai te tirar do buraco. O arrependimento vai te levar a ressuscitar.
Você não vai ficar mais só lamuriando e relembrando o seu passado, as coisas boas com saudosismo, e as coisas ruins com condenação.

Enquanto você reclama que muitos não olham para você, você deveria olhar para mim, que te amo como Pai e estou a sua espera para te abraçar. “Meu filho, tome a decisão de começar uma vida nova.”
Deus disse tudo isso para te amar e curar!

Lá no fundo do seu coração, deixe brotar uma oração e fale com Deus agora do mesmo jeito que Ele está falando com você. Faz tempo que você não fala com Ele, fale agora.

Pe. Léo - SCJ

Fonte:http://foliveiragato.blogspot.com.br/2012/06/cura-interior-pe-leo-cancao-nova.html\\Boas Mensagens

Santidade: A verdadeira cura interior -Maria Emmir Nogueira


Eu dizia para Jesus um dia destes:“Jesus tu morreu por nós, tu destes a nós o batismo e porque o Senhor deixa em nós o desejo do poder, do prazer, porque o Senhor nos deixa ter estas concupiscências, porque?”, e quando saiu o Catecismo eu entendi, foi para que nós provássemos o nosso amor que ainda trazemos em nós as concupiscências. Quando provamos o amor pelo irmão? Quando ele precisa! O amor se prova em ações! Quando concretamente luto contra minhas tendências e limites para fazer a vontade de Deus é que provo que de fato eu O amo.

Existem pessoas que vêem uma liquidação e logo correm para comprar algo, elas tem muitos sapatos, mas sempre estão comprando mais, este desejo exacerbado de possuir as coisas as destrói. Como esta pessoa vai vencer esta mania de ter? Ela vai transformar esta mania de ter em uma escada para o céu. Devemos matar a vontade desenfreada de comprar e provar que amo a Jesus, a gente prova o amor a Jesus no que é fácil e no que é difícil, quanto mais difícil for subir os degraus da escada que nos leva ao céu, mais provaremos o amor a Jesus.

Há aquelas que se cuidam por uma beleza exterior exagerada e trazem raiva de pessoas dentro de si, porque acha que deve ser melhor que as outras. Não é fácil conviver com pessoas assim! Se esta pessoa se esvazia de si e resolve amar aqueles a quem ela trazia um sentimento de raiva, ela precisa se determinar em amar as pessoas, ela precisa usar o horror das pessoas, a inveja, o ciume que ela tem dos outros e transformá-lo em virtude.

Mas se esta pessoa tentar transformar todas os seus limites em virtudes sozinha, ela não conseguirá, pois a escada de santidade não se sobe com as próprias forças, é impossível transformar vícios em virtude sem a graça de Deus. Esta pessoa se deparando com o desejo de amar, de perdoar, mas querendo fazer com suas próprias forças, precisa reconhecer que não conseguirá e deve clamar a Deus por sua graça. Ninguém é capaz de fazer mal algum a nós, a não ser nós mesmos.



É preciso de uma vida de santidade e a santidade vem pela decisão da minha vontade, Deus me dá toda a graça atual que eu necessite para ser santo. São João da Cruz diz: “A porta estreita é Jesus, entrar pela porta estreita muitos entram quando se decidem por Jesus, mas depois da porta estreita existe o caminho estreito”. O caminho estreito pode significar provação, noite escura, noite do espírito, mas amar Jesus significa estar disposto a passar pela porta estreita que é o próprio Jesus e ir até a cruz e ressuscitar. O segredo da santidade, a verdadeira cura interior acontece quando por amor a Jesus eu me decido superar tudo, os traumas me atrapalharão, nossa identidade confusa vai nos atrapalhar, mas porque eu me decido por Jesus, eu alcanço a santidade.

São João da Cruz fala das faculdades, em especial duas, o entendimento e a memória, e ele diz que somos livres e preciso contar sempre com a luz do Espírito e a luz da minha inteligência para ter domínio sobre minhas vontades, eu preciso recorrer a graça de Jesus para orientar o meu ser inteiro para a vontade de Deus. A afetividade é um dom e todo santo é curado no seu interior, mas o pecado é que deixa nossa afetividade biruta.

É muito fácil e muito pagão eu jogar a culpa do meu sofrimento sobre o outro, ninguém tem o poder de te fazer sofrer, só você pode fazer isso acontecer. Quando você vai se conhecendo melhor, suas fraquezas, seus limites, quando você vai dizendo não para suas vontades e sim para a vontade de Deus, principalmente quando isso te faz sofrer e dói muito, sua afetividade vai sendo ordenada para amor. A conseqüência é que a vontade de Deus, a sua verdadeira identidade, aquilo que Deus pensa sobre você vai se tornando real e você não mais terá conflitos.

A medida que sua afetividade se volta para Deus também sua identidade se volta para Deus. Quando eu começo a ficar livre do que me dá prazer, me torno um filho de Deus equilibrado, sem conflitos, forte, me torno santo porque a minha vontade se une a vontade de Deus. Através da escada que subo por amor a Deus o meu amor se une ao amor de Deus. E diz São João da Cruz: “Deus e eu somos um!”, Deus cumpre o seu desígnio de me santificar, de submeter-me à sua vontade, de fazer-me um homem santo como Ele me criou.

Transcrição e adaptação: Flávio Pinheiro
Fonte: Canção Nova

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Dependência Afetiva-Eu sou codependente?


Esta semana, quero abordar um transtorno emocional que minha prática terapêutica tem demonstrado ser uma das principais causas de sofrimento para o ser humano: a dependência afetiva.

Assim como o dependente químico, cujo organismo se desestrutura quando lhe é retirada a droga, o equilíbrio emocional do dependente afetivo entra em colapso quando ele é afastado da pessoa de quem se tornou dependente.

A separação, por abandono ou por morte do ser amado, tira-lhe o chão e faz com que ele perca toda a base onde apoiava sua vida. 
Como se estrutura a dependência afetiva?

Na base desse transtorno está uma profunda carência afetiva, uma falta de nutrição emocional que se originou em sua história de vida. Pais ausentes, pais negligentes, ou aqueles excessivamente rígidos e incapazes de demonstrar afeto, estão geralmente presentes na história do dependente afetivo.

Todos nós aprendemos desde muito cedo, que dependemos de nossos pais (verdadeiros ou simbólicos) para que tenhamos atendidas nossas necessidades básicas. Esse reconhecimento nos leva a perceber precocemente o quanto nossos comportamentos geram uma reação, seja positiva (de estímulo) ou negativa (de punição), por parte daqueles que amamos e dos quais somos dependentes.

Com o passar do tempo, se tivermos um desenvolvimento adequado de nossa auto-estima e autoconfiança, essa dependência irá se diluindo, e passaremos a estabelecer relações onde possamos ter reconhecido o respeito à nossa individualidade.

Quando isto não ocorre, o desenvolvimento emocional se dá de forma desequilibrada e a pessoa seguirá pela vida estabelecendo relações afetivas onde predominam a insegurança e a dependência.

Ela passará a condicionar seu comportamento sempre de modo a obter a aprovação daquele a quem quer agradar. Nos casos extremos, vemos pessoas submetendo-se a humilhações, abusos, explorações e toda sorte de desrespeito, simplesmente para garantir que o ser amado não as abandone.

Assim como o único caminho para a cura da dependência química é reconhecer que se trata de uma doença, para o dependente afetivo também é essencial reconhecer que sofre de um transtorno emocional grave, que pode lhe trazer muito sofrimento.

O segundo passo é buscar ajuda, pois sozinho dificilmente alguém consegue vencer o problema. A força de vontade e o desejo de superar o problema são fundamentais neste processo. Sem eles, nada poderá ser alcançado.

Reconhecer suas qualidades e talentos, sem necessitar do aval do outro para sentir-se alguém especial, é a meta a ser alcançada. A partir do momento em que estabelecemos claramente quais os valores e princípios que queremos ver respeitados em nós, não mais permitiremos qualquer forma de abuso ou desrespeito por quem quer que seja.

Amar-se e desejar para si sempre o melhor, é a única forma de evitar que a dependência afetiva o torne refém daquele a quem você julga amar. Muitas vezes aquilo que acreditamos ser amor, não passa de medo da solidão e de nossa incapacidade de sermos nossos próprios nutridores emocionais. 

Quanto maior for nossa capacidade de vivermos bem sozinhos, mais preparados estaremos para a convivência com o outro.

:: Elisabeth Cavalcante :: 
Fonte: somos todos um

Outro texto, para identificação da codependência, que foi extraído de outro site cuja fonte é identificado ao final. Muito interessante, leia até o fim.

Eu sou Codependente?

As perguntas a seguir servem para identificar 
possíveis padrões de codependência. 

Somos conscientes que o Autoconhecimento é um assunto muito sério e por sua vez pessoal. Esperamos que estas perguntas possam ser-lhe úteis...

Você se sente responsável por outra pessoa? Seus sentimentos, pensamentos, necessidades, ações, escolhas, vontades, bem-estar e destino?
Você sente ansiedade, pena e culpa quando outras pessoas têm problemas?
Você se flagra constantemente dizendo "sim" quando quer dizer "não"?
Você vive tentando agradar aos outros ao invés de agradar a si mesmo?
Você vive tentando provar aos outros que é bom o suficiente? Você tem medo de errar?
Você vive buscando desesperadamente amor e aprovação? Você sente-se inadequado?
Você tolera abuso para não perder o amor de outras pessoas?
Você sente vergonha da sua própria vida?
Você tem a tendência de repetir relacionamentos destrutivos?
Você se sente aprisionado em um relacionamento? Você tem medo de ficar só?
Você tem medo de expressar suas emoções de maneira aberta, honesta e apropriada?
Você acredita que se assim o fizer ninguém vai amá-lo?
O que você sente sobre mudar o seu comportamento? O que impede-lhe de mudar?
Você ignora os seus problemas ou finge que as circunstâncias não são tão ruins?
Você vive ajudando as pessoas a viverem? Acredita que elas não sabem viver sem você?
Tenta controlar eventos, situações e pessoas através da culpa, coação, ameaça, manipulação e conselhos, assegurando assim que as coisas aconteçam da maneira que você acha correta?
Você procura manter-se ocupado para não entrar em contato com a realidade?
Você sente que precisa fazer alguma coisa para sentir-se aceito e amado pelos outros?
Você tem dificuldade de identificar o que sente? Tem medo de entrar em contato com seus sentimentos como raiva, solidão e vergonha.

Os Doze Passos de CoDA -(Codependentes Anônimos)
foram adaptados dos 12 Passos de Alcoólicos Anônimos 

Admitimos que éramos impotentes perante os outros - que nossas vidas haviam se tornado incontroláveis.
Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós, poderia nos devolver a sanidade.
Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidado de Deus como nós O concebíamos.
Fizemos um destemido e minucioso inventário moral de nós mesmos.
Admitimos perante a Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas.
Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.
Humildemente rogamos a Deus para que nos livrasse de nossas imperfeições.
Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.
Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, exceto quando fazê-lo significasse prejudicá-las ou a outrem.
Continuamos fazendo o inventário pessoal, e quando nós estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.
Procuramos através da prece e da meditação melhorar nosso contato consciente com Deus como nós O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós e força para realizar essa vontade.
Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos, procuramos levar esta mensagem para outros codependentes e praticar estes princípios em todos as nossas atividades.

As Doze Promessas de CoDA -(Codependentes Anônimos )

Reconheço que não estou só e que meus sentimentos de vazio e solidão vão desaparecer.
Não sou controlado(a) por meus medos. Eu supero meus medos e ajo com coragem, integridade e dignidade.
Experimento uma nova liberdade.
Liberto-me da preocupação, da culpa e da lamentação quanto ao meu passado e ao presente. Eu me mantenho o suficientemente atento(a) para não repetir.
Experimento um novo amor e uma nova aceitação por mim mesmo(a) e pelos demais. Eu me sinto genuinamente merecedor(a) de ser amado(a).
Aprendo a me ver igualmente aos demais. Em minhas novas e renovadas relações são baseadas na igualdade de ambas as partes.
Sou capaz de desenvolver e manter relações saudáveis e amorosas. A necessidade de controlar e manipular os outros desaparecerá na medida em que eu aprenda a confiar nas pessoas dignas de confiança.
Aprendo que é possível recuperar-me e converter-me numa pessoa mais amorosa, mais íntima e capaz de oferecer apoio apropriado. Eu tenho a escolha de comunicar-me com minha família de uma maneira segura para mim e respeitosa para eles.
Reconheço que eu sou uma criação única e preciosa.
Não dependo unicamente dos demais para poder me sentir valioso(a).
Tenho a confiança de que meu Poder Superior me guia. E venho a acreditar em minhas próprias capacidades.
Experimento gradualmente em minha vida SERENIDADE, FORÇA INTERIOR e CRESCIMENTO ESPIRITUAL.

Fonte: http://www.codabrasil.org/codep1.htm


O Pregador no grupo de oração

O pregador  é uma pessoa guiada pelo Espírito Santo, com o objetivo único de conquistar as pessoas para Jesus. Ele é a voz que clama, é a seta que indica o caminho. Mas não é, jamais, a Palavra, o Caminho.

Por isto é muito importante que o pregador do grupo de oração seja uma pessoa madura na fé, que conheça bem Jesus, que é o Verbo do Pai, a Palavra verdadeira, o único caminho.

O perigo de um pregador imaturo é de que, não conhecendo a Verdade, ele desvie muitas pessoas do verdadeiro caminho.

São Paulo orienta que para ser capaz de ensinar a pessoa "não pode ser um recém-convertido, para não acontecer que, ofuscado pela vaidade, venha a cair na mesma condenação que o demônio.

Importa, outrossim, que goze de boa consideração por parte dos de fora, para que não se exponha ao desprezo e caia assim nas ciladas diabólicas (...) Antesde poderem exercer o seu ninistério, sejam provados para que se tenha c Certeza de que são irrepreensíveis" (I Tim. 3, 6-7, 10).

O que podemos entender por Verdade? A verdade é o próprio Jesus, conforme a Igreja Católica Apostólica Romana ensina (Declaração Dominus Iesus). Mas o que vem a ser um
pregador maduro?

Pergunta um tanto difícil de responder, tendo em vista que estamos falando de fé, de conhecimentos sobrenaturais, de graça. Mas, como disse Jesus: são pelos frutos que conhecereis a árvore. Assim, cabe à comunidade de fé, aos membros do grupo, em especial à equipe de serviço, decidir sobre quem deve pregar no grupo de oração.

a) Ativismo - se o demônio não nos pega pela omissão (preguiça), poderá nos pegar pelo excesso de atividades boas (religiosas). O ativista não tem tempo para a amizade com Jesus
(oração pessoal), como acontece com Pedro e Jesus em Jo 21, 15ss (Pedro, tu me amas?).

b) A falta de pureza nas intenções - O homem vê o exterior, Deus perscruta as intenções do coração (1Sm 16,7). Uma ação vale para Deus quanto vale a intenção com a qual é feita.

O Espírito Santo não pode agir na evangelização se o movente não é puro. Deus não se faz cúmplice de mentira e não valoriza a vaidade.

c) Falta de humildade - Não pregar a si mesmo: "De Fato, não nos pregamos a nós mesmos, mas a Jesus Cristo, o Senhor" (2Cor 4,5). Não buscar a glória pessoal: "Eu não busco a minha
glória!" (Jo 8,50).

d) Excesso de amor-próprio (a si mesmo) - Astúcias do amor próprio: "O ego quer ser admirado e amado"; Ostentação de vaidade; Desejo de agradar aos outros para conseguir vantagens; Desejo de tornar-se célebre (com muita fama); Centralizar-se em si mesmo.

 "Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a" (Mt 7,21-23) vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não
pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos os demônios e
fizemos muitos milagres? E, no entanto, eu lhes direi: nunca vos conheci retirai-vos de mim,
operários maus!

Ele deve ter:

.a Docilidade ao Espírito Santo
.b Orar diariamente
.c Zelar pela própria santidade
.d Amar as pessoas
.e Aprender com os bons pregadores
.f Viver o que se prega
.g Simplicidade na exposição e profundidade nas idéias
.h Escolher cuidadosamente o tema e as idéias principais para compor o roteiro
.i Treinar exaustivamente

Fonte: rcc

A criança e seu potencial espiritual


shalom
 - Um fato curioso ocorre quando conversamos com os pais e educadores que estão envolvidos com a formação integral e espiritual da criança. Eles sempre nos perguntam: Que método utilizar? Como falar de Deus para a criança? Como inseri-la na Igreja e despertar nela o interesse e o respeito pelo que é sagrado? Com que metodologia ensinar o conteúdo bíblico e litúrgico de forma que aconteça uma aprendizagem eficaz e que conduza a criança à experiência com o Amor de Deus?

Isso mostra o quanto o tema é de interesse para os envolvidos na educação e na formação da criança (pais, educadores, catequistas, coordenadores de grupo de oração infantil etc,.) e o quanto gera dúvidas, angústias e preocupações. 

Para falar desse tema, é preciso conhecer quem é a criança e quais são as suas potencialidades. 

A criança é um ser humano que tem períodos de grandes transformações. Está sempre em evolução e nunca é a mesma. Nela existem características e potencialidades que muitas vezes são ignoradas pelos adultos. 

Na primeira infância (0-6 anos), ela é empurrada por uma força interior, própria do seu potencial humano e que, através de um ambiente adequado, é motivada a construir o seu conhecimento, a relacionar-se e a desenvolver as suas habilidades motoras (andar, pegar, correr...). 

Principalmente nessa fase, a criança tem algo muito especial a utilizar: a sua mente, pois esta é absorvente. A criança, com essa memória prodigiosa, é motivada por uma força vital, retém aquilo que tem e vê e que são estímulos para continuar e avançar. 

Podemos então dizer que "a criança é uma pessoa e não somente um futuro adolescente ou adulto". A criança é uma pessoa, com capacidades e necessidades que clamam por ser alimentadas. Os primeiros anos de vida são os mais criativos. Um grande número de psicólogos diz que 80% de nossas capacidades são formadas antes dos três anos de idade. 

Se esse período é tão rico e criativo na vida da criança, então é também criativo e importante para o seu crescimento espiritual e religioso. Podemos dizer que "a criança é um povo em miniatura que aspira a ser acolhido como membro ativo na Igreja". 

As crianças pequenas não somente têm capacidades religiosas, mas também fome do que é religioso. Logo, devemos alimentá-las desde a mais tenra idade e não esperar que elas cresçam. Elas vivem uma relação com Deus muito diferente da nossa. Têm uma capacidade de relação com Deus de uma forma muito profunda. São capazes de entregar-se totalmente ao seu Amor, por isso verificamos que já aos seis anos elas estão totalmente imersas nessa alegria da experiência com Deus. E se o nascimento da pessoa religiosa ocorre através da experiência com o Amor de Deus, nós só devemos motivá-las para que esta se realize. 

As crianças têm uma grande capacidade de oração. Geralmente as suas orações são de agradecimento e de louvor. São belas tanto em qualidade como em quantidade. 

Podemos concluir que "o campo no qual semeia o educador (o adulto que desenvolve qualquer trabalho educativo, formativo com crianças), é particularmente fecundo", assim sendo, não se pode e nem se deve entravar o trabalho que Deus aí desenvolve, mas colaborar através de suas atitudes e da preparação do ambiente para o desabrochar do potencial humano e espiritual que existe em cada criança. 

Um adulto que conhece o potencial humano, espiritual e cognitivo da criança e que prepara um ambiente para o desenvolvimento desse potencial, é um auxílio dos mais eficazes para a formação integral da criança e para o desabrochar da sua experiência com Deus. 

Soraya Gomes Rocha 
Consagrada na Comunidade de Aliança Shalom e Mestra em Educação

Amizade frutuosa,alicerçada em Deus. Dia 20 deJulho, dia do amigo!



De fato, é preciso que as nossas amizades nos conduzam a Deus, nos fortaleçam cada vez mais e não nos denigra, nos chateie, mas imprima em nós um amor verdadeiro. 

Sigamos o exemplo de Jônatas que não olhou pra Davi com inveja e ódio, quando esse foi nomeado por Deus a sucessor do rei Saul, mas sim manteve uma amizade especial com ele durante toda a sua vida. Até mesmo quando Saul tentou matar Davi, foi Jônatas quem o protegeu (1 Samuel). 

Esse exemplo de amizade é verdadeiramente uma amizade em Deus, que não pede algo em troca, ou seja, um verdadeiro amor.

Pe. Roger Luis da Canção Nova
Fonte: http://pensador.uol.com.br/frase/NzUzMTUz/

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Não dá pra chegar no céu cheio de defeitos.



É no sofrimento que a gente cresce. Tudo que aprendi e que tenho de melhor alcancei com o sofrimento. As provações se tornaram alegria na minha vida.

Na bíblia, em Filipenses 2,13-15 diz: "Na verdade, é Deus que produz em vós tanto o querer como o fazer, conforme o seu agrado.Fazei tudo sem murmurar nem questionar, para que sejais irrepreensíveis e íntegros, filhos de Deus sem defeito, no meio de uma geração má e perversa, na qual brilhais como luzeiros no mundo."

Vocês já observaram, o quanto questionamos? E o quanto murmuramos? E a palavra diz que não devemos agir desta forma.

Na verdade, aquele que confia em Deus, sabe que o pai jamais o abandonará, que está sempre com Ele.

Madre Tereza de Calcutá dizia: "A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria. Não lhes proporciones apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração". 

Então, meus irmãos vamos exercitar a bondade, esvaziar de nós mesmos e lembrar que vivemos não isoladamente, mas num sociedade que clama por amor.

Foi também, a Madre Tereza, que disse: "A falta de amor é a maior de todas as pobrezas"

Jesus sofreu até no último momento. Mas a diferença está na forma de olhar. Jesus fixou o seu olhar em Deus. Por isso, tudo suportou e fez a vontade do pai.

Tenho observado que a humildade na maioria das vezes é adquirida pela humilhação sofrida. A humilhação ela é benéfica quando voltamos o nosso olhar para Jesus e vê tudo o que Ele passou. Se Ele tudo suportou. Nós também podemos, pela graça, afinal é Ele que produz em nós tanto o querer quanto o fazer.

É pela humilhação que é quebrado o nosso orgulho. Para adquirir humildade é preciso exercitar a tolerância e não tenho dúvidas, Deus utiliza aquele que está próximo de nós, para nos moldar.

Vamos deixar ser modelados, moldados por Deus.Nos últimos tempos, tenho percebido que através dos mau-entendidos, das más interpretações, do julgamento e até da condenação de pessoas amigas e próximas, o Senhor tem me dado a graça de redimensionar a minha forma de pensar e agir.

Tenho prestado atenção nos acontecimentos em volta e naquilo que não me agrada, que não aprovo, para deixar Deus falar comigo e olha, aquilo que seria motivo de desarmonia, de desavença, de desunião, tem se tornado uma fonte de bençãos, porque me silencio e deixo Deus falar e percebo que as vezes o que o outro fez de errado me faz ter uma visão de tantas outras coisas que estava errado na minha vida.

Precisamos fixar o nosso olhar para as coisas do alto. Deus é espírito. E nós somos carnais, somos do mundo, somos humanos. Quando o mundo diz que é bom, Deus diz que é ruim. Quando o mundo diz que é ruim, Deus diz que é bom.

Portanto, meus irmãos, tenho aprendido com Madre Tereza, que quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las.

Augusta Moreira dos Santos

«AINDA QUE CAMINHA POR UM VALE ESCURO…Pe. Raniero Cantalamessa»



Advento 2003 na Casa Pontifícia
Segunda pregação

Um dia, Francisco de Assis exclamou: «Carlo imperador, Orlando e Olivero, todos os grandes guerreiros que foram valentes nos combates, perseguindo os infiéis com muito suor e fadiga até à morte, conseguiram sobre eles uma glória e memorável vitória, e por último estes santos mártires caíram em batalha pela fé de Cristo. Mas há muitos que, somente narrando suas gestas, querem receber honra e glória dos homens» (1).

Em uma de suas Admonições, o santo explicou o que havia querido dizer com aquelas palavras: «É uma vergonha para nós, servos do Senhor, o fato de que os santos atuaram com os fatos e nós, relatando e pregando as coisas que eles fizeram, queremos receber honra e glória» (2). Estas palavras me vêm à memória como um austero sinal no momento em que me disponho a oferecer a segunda meditação sobre a santidade de Madre Teresa de Calcutá.

1. Na escuridão da noite

O que ocorreu depois que Madre Teresa disse seu «sim» à inspiração divina que a chamava a deixar tudo para colocar-se a serviço dos mais pobres entre os pobres? O mundo conheceu bem o que sucedeu em torno a ela --a chegada das primeiras companheiras, a aprovação eclesiástica, o vertiginoso desenvolvimento de suas atividades caritativas--, mas até sua more, ninguém soube o sucedido dentro dela.

Revelam isso os diários pessoais e as cartas a seu diretor espiritual, divulgadas por ocasião de sua beatificação: «Com o início de sua nova vida a serviço dos pobres, uma opressiva escuridão veio sobre ela» (3). Bastam alguns breves fragmentos para dar uma idéia da densidade das trevas em que entrou.

«Há tanta contradição em minha alma, um profundo anseio de Deus, tão profundo que faz dano, um sofrimento contínuo --e com isso o sentimento de não ser querida por Deus, rejeitada, vazia, sem fé, sem amor, sem entusiasmo... O céu não significa nada para mim, me parece um lugar vazio» (4).

Não foi difícil reconhecer imediatamente nesta experiência de Madre Teresa um caso clássico do que os estudiosos da mística, detrás de São João da Cruz, chamam a noite escura do espírito. Taulero faz uma descrição impressionante desta etapa da vida espiritual:

«Então somos abandonados de tal forma que já não temos conhecimento de Deus e caímos em tal angústia que não sabemos se estivemos no caminho justo, nem sabemos já se Deus existe ou não, ou se nós mesmos estamos vivos ou mortos. De sorte que sobre nós cai uma dor tão estranha que nos parece que todo o mundo em sua extensão nos oprime. Já não temos nenhuma experiência nem conhecimento de Deus, e inclusive todo o demais nos parece repugnante, de forma que nos parece estar prisioneiros entre dois muros» (5).

Tudo permite pensar que esta escuridão acompanhou Madre Teresa até a morte (6), com um breve parêntese em 1958, durante o qual pôde escrever alegre: «Hoje minha alma está cheia de amor, de alegria indizível e de uma ininterrupta união de amor» (7). Se a partir de certo momento já não fala quase disso, não é porque a noite terminou, mas porque ela se adaptou a viver nesta. Não só a aceitou, mas reconhece a graça extraordinária que estabelece para ela.

«Comecei a amar minha escuridão, porque creio que esta é uma parte, uma pequenina parte, da escuridão e do sofrimento em que Jesus viveu na terra» (8).

A flor mais perfumada da noite de Madre Teresa é seu silêncio sobre isso. Tinha medo, ao falar disso, de fazer-se notar. As pessoas mais próximas a ela não suspeitavam de nada, até o final, deste tormento interior da Madre. Por ordem sua, o diretor espiritual teve de destruir todas as suas cartas e se algumas foram salvas é porque ele, com permissão dela, fez uma cópia para o arcebispo e futuro cardeal T. Picachy, as quais foram encontradas após a morte dela. O arcebispo, felizmente, rejeitou a petição que lhe fez também Madre Teresa de destruí-las.

O perigo mais insidioso para a alma na noite escura do espírito é o de… perceber que se trata, precisamente, da noite escura, daquilo que os grandes místicos viveram antes dela e, portanto, formar parte de um círculo de almas eleitas. Com a graça de Deus, Madre Teresa evitou este risco escondendo a todos seu tormento sob um eterno sorriso.

«Todo o tempo sorrindo, dizem de mim as irmãs e as pessoas. Pensam que meu interior está cheio de fé, confiança e amor… Se só souberem como minha aparência alegre não é senão um manto com o qual cubro vazio e miséria!» (9).

Os Padres do deserto dizem: «Por grandes que sejam tuas penas, tua vitória sobre elas está no silêncio» (10). Madre Teresa o pôs em prática de forma heróica.

2. Madre Teresa de Calcutá e Padre Pio de Pietrelcina

Por ocasião da canonização de Padre Pio de Pietrelcina, os observadores leigos expressaram o parecer de que a santidade do místico Padre Pio era uma santidade arcaica, diferentemente da de Madre Teresa, a santa da caridade, que seria uma santidade moderna. Agora descobrimos que também Madre Teresa era uma mística (que Padre Pio era também um santo da caridade basta para demonstrá-lo a obra que ele realizou no «alívio do sofrimento»).

O erro é contrapor estas duas marcas da santidade cristã, que vemos, ao contrário, com freqüência unidas admiravelmente, isto é, altíssima contemplação e intensíssima ação. Santa Catarina de Gênova, considerada uma das maiores da mística, foi desde Pio XII proclamada patrona dos hospitais na Itália por sua obra e a de seus discípulos a favor dos enfermos e dos incuráveis, que recorda de perto a obra de Madre Teresa em nossos dias.

Em um belo artigo, escrito com ocasião da beatificação, um autor indiano define Madre Teresa como «uma irmã para Gandhi» (11). Certamente muitas marcas reúnem as duas grandes almas, os dois Mahatma, da Índia moderna, mas é ainda mais justo, creio, ver em Madre Teresa «uma irmã para Padre Pio». Lhes une não só a mesma veneração da Igreja, mas também um mesmo ciclo de glória de parte da opinião pública mundial. Uma se distinguiu sobretudo nas obras de misericórdia corporais, o outro nas obras de misericórdia espirituais. Mas foi precisamente Madre Teresa a que recordou ao mundo de hoje que a pobreza pior não é a dos pobres de coisas, mas a dos pobres de Deus, de humanidade e de amor, a pobreza, em suma, do pecado.

A marca que mais aproxima estes dois santos é, talvez, precisamente a longa noite escura na qual viveram toda a vida. Sempre recordarei a impressão que tive ao ler o relato com que Padre Pio descrevia a seu pai espiritual o fato dos estigmas. Ele terminava fazendo suas as palavras do salmo que diz: «Senhor, não me corrijas em teu enojo, em teu furor não me castigue» (Sal 38, 2). Estava convencido e esta convicção lhe acompanhou toda a vida, de que os estigmas não eram um sinal de predileção e de aceitação de parte de Deus, mas, ao contrário, de sua rejeição e do justo castigo divino por seus pecados. Foi aquilo o que me abriu os olhos sobre a estatura mística deste irmão meu do qual, até então, me havia interessado pouco.

Para irradiar luz, estas duas almas tiveram que passar a vida na escuridão, convencidas, além disso, de «enganar as pessoas». São Gregório Magno diz que a característica dos homens superiores é que «na dor da própria tribulação, não descuidam da convivência dos demais; e enquanto suportam com paciência as adversidades que os golpeiam, pensam em ensinar aos demais o necessário, semelhantes nisso a certos grandes médicos que, afetados estes mesmos, esquecem suas feridas para atender os demais» (12). Este sinal resplandece em grau eminente na vida de Madre Teresa e de Padre Pio.

3. Não só purificação

Por que este estranho fenômeno de uma noite do espírito que dura praticamente toda a vida? Aqui há algo novo a respeito dos que viveram e explicaram os mestres do passado, incluindo São João da Cruz. Esta noite escura não se explica com a única idéia tradicional da purificação passiva, a chamada via purgativa, que prepara à via iluminada. Madre Teresa estava convencida de que se tratava precisamente disto em seu caso; pensava que seu «eu» era particularmente duro de vencer, se Deus se via obrigado a tê-la durante tão longo tempo nesse estado.

Mas isto não era certo. A interminável noite de alguns santos modernos é o meio de proteção inventado por Deus para os santos de hoje que vivem e trabalham constantemente sob os focos da mídia. É o traje de amianto para quem deve ir entre as chamas; é o isolamento que impede a corrente elétrica de sair provocando curtos-circuitos…

São Paulo dizia: «Para não me envaidecer com a sublimidade dessas revelações, foi-me dado um espinho na carne» (2 Cor 12, 7). O espinho na carne, que era o silêncio de Deus, se revelou eficaz para Madre Teresa: a preservou de todo entusiasmo em medo a tudo o que o mundo dizia dela, também no momento de receber o prêmio Nobel da paz. «A dor interior que sente --dizia-- é tão grande que não me afeta nada toda a publicidade e o falar das pessoas».

Também isto une Madre Teresa e Padre Pio. Um dia, Padre Pio, olhando pela janela a multidão reunida na praça, perguntou maravilhado ao irmão que tinha ao lado: «Por que vieram todos estes?», e a resposta: «Por você, Padre», retirou-se rapidamente suspirando: «Se só soubessem…».

Mas existe uma razão ainda mais profunda que explica estas noites que se prolongam durante toda uma vida: a imitação de Cristo, a participação na noite escura do espírito que envolveu Jesus no Getsemani e na qual morreu no Calvário, gritando: «Deus meu, Deus meu, por que me abandonou?». Na carta apostólica Novo millennio ineunte, a propósito do «rosto doente» de Cristo, o Papa escreve:

«Ante este mistério, além de investigação teológica, podemos encontrar uma ajuda eficaz naquele patrimônio que é a «teologia vivida» dos Santos. Estes nos oferecem algumas indicações preciosas que permitem acolher mais facilmente a intuição da fé, e isto graças às luzes particulares que alguns deles receberam do Espírito Santo, ou inclusive através da experiência que eles mesmos tiveram dos terríveis estados de prova que a tradição mística descreve como «noite escura». Muitas vezes os Santos viveram algo semelhante à experiência de Jesus na cruz na paradoxal confluência de felicidade e dor» (13).

A carta cita a experiência de Santa Catarina de Siena e de Teresa do Menino Jesus. Agora sabemos que poderia citar também o exemplo de Madre Teresa. Ela chegou a ver cada vez mais claramente sua prova como uma resposta a seu desejo de compartilhar o «Lugar» de Jesus na cruz.

«Se a pena e o sofrimento, minha escuridão e separação te dá uma gota de consolação, Jesus meu, faz de mim o que quiseres… Imprime em minha alma e vida o sofrimento de teu coração. Quero saciar tua sede com cada gota de sangue que possa encontrar em mim. Não te preocupes de voltar logo; estou disposto a esperar-te toda a eternidade» (14).

Seria um grande erro pensar que a vida destas pessoas seja toda sombrio sofrimento. A carta Novo Millennio ineunte, ouvimos, fala de uma «paradoxal confluência de felicidade e dor». No fundo da alma, estas pessoas gozam de uma paz e alegria desconhecidas para o resto dos homens derivados da certeza, mais forte que a dúvida, de estar na vontade de Deus. Santa Catarina de Gênova compara o sofrimento das almas neste estado ao do Purgatório, e diz que este «é tão grande que somente é comparável ao do inferno», mas que existe nelas uma «grandessíssima alegria» que somente se pode comparar a dos santos no Paraíso (15).

A alegria e a serenidade que emanavam do rosto de Madre Teresa não eram uma máscara, mas o reflexo da união profunda com Deus, em que vivia sua alma. Era ela que se «enganava» sobre si mesma, não as pessoas.
(...)
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4. Ao lado dos ateus

Em lugar de santos «arcaicos», os místicos são os mais modernos entre os santos. O mundo de hoje conhece uma nova categoria de pessoas: os ateus de boa fé, aqueles que vivem dolorosamente a situação do silêncio de Deus, que não crêem em Deus mas não se vangloriam disso; experimentam mais a angústia existencial e a falta de sentido de tudo; vivem também eles, a seu modo, em uma noite escura do espírito. Albert Camus lhes chamava «os santos sem Deus». Os místicos existem sobretudo para eles; são seus companheiros de viagem e de mesa. Como Jesus, eles «estão sentados à mesa dos pecadores e comeram com eles» (Cf. Lc 15, 2).

Isto explica a paixão com a qual certos ateus, uma vez convertidos, lançaram-se sobre os escritos dos místicos: Claudel, Bernanos, os dois Maritain, L. Bloy, o escritor J. -K. Huysmans e muitos outros sobre os escritos de Angela de Foligno; T. S. Eliot sobre os de Giuliana de Norwich. Ali encontravam a mesma paisagem que haviam deixado mas desta vez iluminada pelo sol. Este ano se celebra o 50º aniversário da primeira representação de «Esperando Godot», o drama mais representativo do teatro do absurdo, mas poucos sabem que seu autor, Samuel Beckett, em seu tempo livre lia São João da Cruz.

A palavra «ateu» pode ter um sentido ativo e um sentido passivo. Pode indicar aquele que rejeita Deus, mas também aquele que --pelo menos assim lhes parece-- é rejeitado por Deus. No primeiro caso, trata-se de um ateísmo de culpa (quando não é de boa fé), no segundo de um ateísmo de pena, ou de expiação. Neste último sentido podemos dizer que os místicos, na noite do espírito, são os a-teus, os sem Deus. Madre Teresa tem palavras que ninguém havia suspeitado nela:

«Dizem que a pena eterna que sofrem as almas no inferno é a perda de Deus… Em minha alma eu experimento precisamente esta terrível pena da perda, de Deus que não me quer, de Deus que não é Deus, de Deus que na realidade não existe. Jesus, te rogo, perdoa minha blasfêmia» (16).

Mas se dá conta da natureza distinta, de solidariedade e de expiação, deste «ateísmo» seu:

«Quero viver neste mundo tão longe de Deus e que deu as costas à luz de Jesus, para ajudar as pessoas, carregando com algo de seu sofrimento» (17).

Os místicos chegaram a um passo do mundo onde vivem os sem Deus; experimentaram a vertigem de precipitar-se para baixo. Escreve Madre Teresa a seu pai espiritual:

«Estive a ponto de dizer “não”… Sinto-me como se algo, um dia ou outro, tivesse de romper em mim». «Rogue por mim, para que eu não rejeite Deus nesta hora. Não quero fazê-lo, mas temo que possa fazê-lo» (18).

Por isto os místicos são os evangelizadores ideais no mundo pós-moderno, onde se vive «etsi Deus non daretur», como se Deus não existisse. Recordam aos ateus honestos que não estão «longe do reino de Deus»; que lhes bastaria dar um salto para encontrar-se ao lado dos místicos, passando do nada ao tudo. Tinha razão Karl Rahner ao dizer: «O cristianismo do futuro, ou é místico ou não será». Padre Pio e Madre Teresa são a resposta a este sinal dos tempos. Não devemos «desperdiçar» os santos reduzindo-os a dispensadores de graças ou de bons exemplos.

5. Nossa pequena noite

Os místicos têm contudo algo a dizer aos crentes, e não só aos ateus. Não são uma exceção, ou uma categoria à parte de cristãos. Mostram mais, como de forma ampliada, o que deveria ser a plena expansão da vida de graça. Uma coisa aprendemos especialmente da noite escura dos místicos, e em particular da de Madre Teresa; como comportar-nos em tempo de aridez, quando a oração se converte em luta, fatiga, um golpe da cabeça contra um «muro de lamentação».

Não é necessário insistir na oração de Madre Teresa em todos aqueles anos passados na escuridão; a imagem dela em oração é a que todos temos ainda ante os olhos. Uma série de belíssimas orações se encontra entre a herança mais preciosa que ela deixou a suas filhas e à Igreja. De Jesus, o evangelista Lucas diz que, «sumido em agonia, insistia mais em sua oração», factus in agonia prolixius orabat (Lc 22, 44). É o que se observa também na vida destas almas.

A aridez na oração, quando não é fruto de dissipação ou de pactos com a carne, mas permissão de Deus, é a forma atenuada e comum que a noite escura advém na maioria das pessoas que tendem à santidade. Nesta situação é importante não se render e começar a omitir a oração para entregar-se ao trabalho, visto que se consegue bem pouco estando em oração. Quando Deus não está, é importante ao menos que seu lugar permaneça vazio e que não seja ocupado por algum ídolo, especialmente o que chamamos ativismo.

Para impedir que isto ocorra é bom interromper cada momento o trabalho para elevar ao menos um pensamento a Deus, ou para sacrificar-lhe simplesmente um pouco de tempo. Em tempo de aridez há que descobrir um tipo de oração especial que a beata Angela de Foligno definia como a oração forçada e que diz ter praticado ela mesma:

«É bom e muito agradável a Deus que tu ores com o fervor da graça divina, que veles e te fatigues ao realizar toda ação boa; mas é mais agradável e aceitável ao Senhor se, faltando a graça, não diminuas tuas orações, tuas vigílias, tuas boas obras. Atue sem a graça da mesma maneira como o fazias quando a possuías… tu fazes tua parte, filho meu, e Deus fará a sua. A oração forçada, violenta, é muito agradável a Deus» (19).

Esta é uma oração que se pode fazer mais com o corpo que com a mente. Existe uma secreta aliança entre a vontade e o corpo e há de usá-la: a razão. Com freqüência, quando nossa vontade não pode ordenar à mente que tenha ou não certos pensamentos, pode ordenar ao corpo: os joelhos que se dobram, as mãos que se juntam, os lábios que se abrem e pronunciam algumas palavras, por exemplo, «Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo».

Um místico oriental, Isaac o Sírio, dizia: «Quanto teu coração está morto e já não temos a mínima oração nem súplica alguma, quando Ele vier, que nos encontre prostrados com o rosto em terra perpetuamente». Madre Teresa conheceu também esta oração «forçada».

«Não posso dizer-lhe o mal que senti outro dia; houve um momento no qual por pouco rejeitei aceitar. Então tomei decididamente o Rosário e o rezei lentamente e com calma, sem meditar nem pensar em nada» (20).

Simplesmente permanecer com o corpo na igreja, ou no lugar eleito para a oração, simplesmente estar em oração, é então o único modo que fica para continuar sendo perseverantes na oração. Deus sabe que poderíamos ir e fazer centenas de coisas mais úteis e que nos agradariam mais, mas permanecemos ali, consumimos em branco o tempo a Ele destinado por nosso horário ou por nosso propósito.

A um discípulo que se lamentava continuamente de não poder orar por causa das distrações, um ancião monje, ao que se havia dirigido, lhe respondeu; «que teu pensamento vá onde queira, mas que teu corpo não saia da cela!» (21). É um conselho que também nos serve, quando nos encontramos em situação de distrações crônicas que já não estão em nossas mãos poder controlar: que nosso pensamento vá aonde queira, mas que nosso corpo permaneça em oração!

Em tempo de aridez, devemos recordar a dulcíssima palavra do Apóstolo: «O Espírito vem em ajuda de nossa fraqueza…» (Rm 8, 26 s). Ele, sem que o notemos, enche nossas palavras e nossos gemidos de desejo de Deus, de humildade, de amor. O Paráclito se converte, então, na força de nossa oração «Fraca», na luz de nossa oração apagada; em uma palavra, na alma de nossa oração. Verdadeiramente, como diz a Sequência, Ele «rega o que é árido», rigat quod est aridum.

Tudo isto sucede por fé. Basta que eu diga: «Padre, tu me presenteaste o Espírito de Jesus; formando, por isso, “um só Espírito” com Ele, eu rezo este salmo, celebro esta Santa Missa, ou estou simplesmente em silêncio, aqui, em tua presença. Quero dar-te a glória e a alegria que te daria Jesus, se fosse Ele quem te orasse ainda desde a terra». Com esta certeza, concluímos nossa reflexão orando:

«Espírito Santo, Tu que intercedes no coração dos crentes com gemidos inefáveis, chama o coração de tantos de nossos contemporâneos que vivem sem Deus e sem esperança neste mundo. Ilumina a mente daqueles que neste momento estão delineando a fisionomia de nosso continente; faz-lhes compreender que Cristo não é uma ameaça para ninguém, mas irmão de todos. Que aos pobres, aos pequenos, aos perseguidos e aos excluídos da Europa de amanhã não lhes seja tirado, com culpado silêncio, a garantia que até agora mais lhes defendeu do arbítrio dos grandes e da dureza da vida; o nome do primeiro deles, Jesus de Nazaré!».
(...)
Fonte: Textos extraídos do portal:http://www.comshalom.org/formacao/espiritualidade/santidadecrista/aindaqueeucaminhe.html
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quarta-feira, 18 de julho de 2012

TOMAR O CAMINHO DO SILÊNCIO



Frei Patrício Sciadini, OCD

Ao meu redor tudo é silêncio. Fechei a porta, as janelas do meu quarto. Só de vez em quando chega o som estridente de uma buzina. O grito sofrido de quem passeia na rua. 

É silêncio fora e dentro de mim; percebo a voz da caneta que corre veloz no papel que, silenciosamente acolhe as idéias que sobem do coração e se fixam na docilidade do branco papel que um dia foi árvore. Houve um tempo que o silêncio preenchia outros vazios e que era doce permanecer em silêncio, tentando escutar a voz do Outro que, do silêncio, chegava até mim.

Amava o silêncio como terra aberta e fecunda na espera de semente de vida. Era no silêncio que ia ruminando, mastigando a Palavra de Deus encontrada, devorada, que em mim se transformava em doce sabor de eternidade.

Houve um tempo em que me sentia agredido pelo silêncio, precisava – como um dependente – da minha dose diária de barulho, de busca de amigos imaginários, para preencher o terrível vazio do nada. 

Era a noite da fé em que, como por encanto maléfico, chegavam de longe as vozes sedutoras do mundo: luzes, vozes, sugestões, fantasmas e imaginações que tentam despertar os instintos da besta adormecida dentro de nós. Um silêncio terrível, ameaçádor que provoca fuga de si mesmo na busca de outros lugares e outras pessoas.

O novo silêncio

Passada a tempestade, silenciados os trovões da soberba e da cobiça, surgiu um novo silêncio. O desejo forte, corajoso de tomar o caminho do silêncio para se reencontrar com a própria identidade que estava submersa na poeira do tempo e do descaso.

O novo silêncio é sede de infinito que as coisas não podem apagar e saciar. É deixar-se envolver pelo manto do amor misericordioso do Pai que nos abraça “cobrindo-nos de beijos”.

O novo silêncio é paz que não pode ser perturbada pelas incompreensões e pelas pequenas ou grandes rejeições. É a tranqüilidade do último lugar, assumido com a consciência de que nunca nos será tirado. É preciso voltar ao silêncio como deserto e lugar fecundo. Como oásis de paz e de amores com o Amado.

É o novo silêncio das potências e dos desejos que depois de ter-se cansado de tanto andar vagueando, repousa no colo reclinado do Amado. É o silêncio que as palavras não podem definir, mas que o coração entende e nele se delicia num gozo sem fim. 

É o novo silêncio que é possível saborear na rodoviária, no trânsito caótico de São Paulo, ou no silêncio do deserto ou das montanhas. O silêncio está dentro de nós. É aí, bem no fundo do coração que é preciso reaprender a escutar a Deus que nos fala – um Deus Palavra eterna de Amor –. É o momento de tomar o caminho do silêncio onde se ouvem as batidas do coração e as palpitações da voz do Amado que nos chama ao deserto. 

O medo do silêncio não é outra coisa que o medo de si mesmo, de se olhar no espelho da própria consciência, de reconhecer a própria identidade fragmentada. 

O silêncio é encontro amoroso com Deus que vai curando as nossas feridas, injetando em nós vida nova. Encontrar-se com o Senhor na sarça ardente e deixar-se queimar totalmente depois de ter tirado as sandálias do egoísmo e das seguranças humanas. 

O novo silêncio será o terreno fecundo de onde surgirão os novos místicos e contemplativos capazes de ser silêncio – palavra num mundo doente de um barulho desintegrador –. No silêncio, está a nossa esperança e fortaleza.

Nunca se vai ao silêncio para estar só, mas para apresentar na oração toda a humanidade. É o amor que exige o silêncio diante de um Deus que, no amor, conhece as profundidades do nosso ser.

O novo silêncio não pode ser fim, nem fuga, nem incapacidade de convivência ou de diálogo, é necessidade de aprender a escutar para saber ouvir melhor o grito do homem e da mulher oprimidos.

Há gritos e choros que só se entendem no silêncio; há vida que nasce, que só se percebe no silêncio; há amor que só pode ser vivido no silêncio.
Reaprender a viver o silêncio e no silêncio é o caminho novo da convivência pacífica e da não violência.

Toma o caminho do silêncio! Torna-te silêncio e saberás melhor comunicar as sublimes lições do Infinito que se perdem quando tentamos explicá-las. Deus é silêncio, por isso é Amor que rompe o seu silêncio na encarnação. Jesus é silêncio que só fala aos que se fazem silêncio para ouvi-lo.

Fonte: Revista Shalom Maná
Portal: Comshalom


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Vocação à santidade



Frei Gabriel de Santa Maria Madalena, OCD

Com a queda de Adão, o pecado destruiu o plano divino da santificação do homem. Nossos primeiros pais, criados à imagem e semelhança de Deus, em estado de graça e santidade, elevados à dignidade de filhos de Deus, foram precipitados num abismo de miséria, arrastando consigo todo o gênero humano. Durante séculos e séculos, o homem geme no seu pecado; este cavou um abismo insuperável entre Deus e a humanidade, e o homem geme para além do abismo, absolutamente incapaz de se levantar.

Para conseguir o que o homem não pode, para destruir nele o pecado e restituir-lhe a graça, promete-lhe Deus um Salvador. A promessa, feita e renovada através dos séculos, não se restringe somente ao povo de Israel; interessa a toda a humanidade. Já Isaías o havia pressentido: “Virão os povos em multidão, dizendo: ‘Vinde, subamos à montanha do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine seus caminhos’” (Is 2,3). E declarou Jesus expressamente: “Digo-vos que muitos virão do oriente e do ocidente e sentar-se-ão à mesa com Abraão, Isaac e Jacó no Reino dos céus” (Mt 8,11).

O Senhor Jesus veio salvar a todos os povos, e convidar todos à mesa de seu Pai, no Reino dos céus. “Quer Deus todos os homens salvos e que cheguem todos ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4). A fim de que se salvem todos, “enviou seu Filho unigênito, para que, quem quer que nele creia, não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). 

Assim amou Deus o mundo. Se foi Israel o depositário da divina promessa e recebeu a missão de transmiti-la de geração em geração, não é, porém, o único beneficiário. Desde a antigüidade, no plano de Deus, foi destinada a promessa a toda a família humana: ninguém está excluído. Jesus, Salvador, veio para cada homem e a cada homem oferece os meios necessários à sua santificação.

Assim dirige S. Paulo aos cristãos de Corinto sua primeira carta: “Aos santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos com todos aqueles que em todo lugar invocam o nome do Senhor nosso Jesus Cristo” (1Cor 1,2). Todos os que crêem em Cristo, seja de que povo for, são efetivamente “chamados a ser santos”; o que, na linguagem do Apóstolo, significa sobretudo pertencerem, serem consagrados a Deus mediante o Batismo e, portanto, em força desta consagração, tornarem-se pessoalmente santos.

Assim como a salvação, a santidade é oferecida a todos os homens. “Sede santos porque eu sou santo” (Lv 11,44), havia dito Deus ao povo de Israel; e Jesus especificou: “Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste” (Mt 5,48). 

Estas palavras, não as dirigiu o Senhor a um grupo escolhido; não as reservou aos apóstolos, aos íntimos, mas pronunciou-as diante da multidão que o seguia. Ele, o Santo por excelência, veio santificar todos os homens e a todos oferece os meios necessários, não só para a salvação, mas também para a santificação: “Eu vim para que tenham a vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

Não se cansa a Igreja de repetir e inculcar este ensinamento do Senhor: “Ninguém creia que... (a santidade) seja para poucos homens escolhidos dentre muitos, enquanto os outros podem limitar-se a um grau inferior de virtude... Absolutamente todos... sem exceção alguma, estão compreendidos nesta lei” (Pio XI, AAS [1923]: 50).

De modo particular, o Concílio Vaticano II reafirmou a universal vocação à santidade: “Todos na Igreja, quer pertençam à hierarquia, quer sejam por ela dirigidos, são chamados à santidade... 

O Senhor Jesus, mestre e modelo divino de toda perfeição, a todos e a cada um dos seus discípulos, de qualquer condição, pregou a santidade de vida, de que ele mesmo é o autor e consumador” (LG 39.40). 

Não pode o homem encontrar em si mesmo recursos e forças para santificar-se; somente Deus é santo e somente Deus pode santificá-lo. O próprio Deus quer ser o santificador das suas criaturas e, em Jesus bendito, oferece em profusão, a cada homem, os meios para que se santifique.

Extraído de: Madalena, Gabriel de Sta. Maria. Intimidade Divina. São Paulo: Loyola, 1988, pp. 25-26.

Fonte: Revista Shalom Maná